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  • Foto do escritorCineclube Bamako

Kilombeduka forma 1ª turma de educadores antirracistas


Após dois meses de atividades teóricas e práticas, o Kilombeduka concluiu seu primeiro ciclo da Formação em Cineclubismo e Linguagem Audiovisual. As atividades ocorreram em um espaço histórico e de muito signicado para o povo negro: o Centro Cultural Grupo Bongar Nação Xambá, no Quilombo Portão do Gelo, em Olinda. Ao longo deste período, um grupo de educadores(as) tiveram contato com práticas cineclubistas, conhecimento técnico e conceitual sobre o audiovisual e seu papel pedagógico para a construção de uma educação antirracista.


O 1º ciclo ocorreu nos meses de julho e agosto e envolveu uma série de encontros presenciais e virtuais. A metodologia da formação incluiu aulas presenciais, sessões cineclubistas e vídeo aulas online semanais com duração de uma hora, cada. A turma também teve contato com textos teóricos e recebeu mentoria para a produção de projetos autorais. As aulas foram ministradas pela jornalista e cineasta Erlânia Nascimento, convidada pelo projeto, e pelos integrantes do Cineclube Bamako, Gabriel Muniz, Iris Regina e Rayza Oliveira. O evento de culminância desta primeira etapa aconteceu, um pouco depois, em setembro, também no Centro Cultural Grupo Bongar Nação Xambá. Na ocasião, os participantes falaram sobre a experiência em fazer parte da formação, receberam os certificados e ainda assistiram a série “Pretas da História”, uma produção audiovisual realizada por Danielle Valentim, que resgata a trajetória de mulheres negras invisibilizadas na História.


“As aulas presenciais foram incríveis, pois a participação foi intensa. Houve muita troca e debates profundos e embasados, e nesse sentido, pudemos contribuir para que tais debates tivessem mais subsídios teóricos”, avalia a coordenadora pedagógica e educadora, Rayza Oliveira. Para ela, a avaliação coletiva também serviu como parâmetro para avaliações internas do projeto. “No momento da culminância, pudemos ouvir mais de perto o retorno das participantes e decidimos adaptar a metodologia a fim de facilitar mais o processo de aprendizagem. Tudo pela primeira vez é desafiador, e, nesse primeiro ciclo, não foi diferente, no entanto, esse desafio nos fez amadurecer mais em nossas práticas pedagógicas e está sendo incrível compartilhar tudo isso com essa equipe e com participantes engajados”.


Uma das participantes do curso é Aline Souza, nascida em Belo Jardim, mas atualmente vivendo e trabalhando em Olinda. Como artista, Aline desenvolve trabalhos em vídeo e fotografia, tendo a performance como produção predominante em sua trajetória. Produtora, comunicadora, escritora e MC, ela foi uma das integrantes da primeira turma Kilombeduka e avaliou a experiência: “Participar do projeto foi uma experiência muito gratificante e importante porque nos fortaleceu enquanto pessoas negras, corpos afroindígenas para que, além da troca de conhecimento, pudéssemos promover ações concretas em relação a legislação do cineclubismo. Para que a gente possa abordar de maneira completa e ampla esse conhecimento a partir de uma perspectiva afrocentrada”. Outro ponto destacado por Aline diz respeito ao incentivo que o projeto deu para ocupação de espaços descentralizados da cidade para ir para favela e periferias.


“Para mim que sou uma mulher negra, indígena, vindo de uma cidade do interior que hoje tenta ocupar um lugar na cidade grande, aproveito esses espaços de formação sobretudo gratuita. A gente pode ter vivências online, direcionamento presencial, o que foi muito importante para gente aprender como difundir o audiovisual negro”, comenta ela, que também atua como articuladora do Ariel Coletivo Literário, integra o Maracatu Estrela Brilhante do Recife e também atua como pesquisadora pelo SENAI Pernambuco.


A difusão do audiovisual por meio da prática cineclubista enquanto ferramenta antirracista foi um dos pontos fortemente trabalhado ao longo do curso. Foi desse estímulo que nasceu o projeto Cine Boi, que teve a primeira edição realizada na Várzea. A atividade nomeada “Ação Cineclubista: Caminhos da Produção Audiovisual Varzeana”, contou com uma programação composta pela exibição de dois documentários e um videoclipe de/sobre artistas do território, com a participação de seus realizadores. Após a sessão teve roda de conversa sobre os desafios e caminhos da produção audiovisual periférica, a importância para o portfólio do artista e a ativação da cadeia produtiva da cultura, além de incentivar a criação de redes e novas parcerias.


Natalia Raquel, brincante popular, educadora ambiental e produtora do Boi da Mata foi uma das participantes que aplicou o conhecimento adquirido na formação na sua comunidade. Ela conta que o Cine Boi vai integrar todas as ações desenvolvidas pelo coletivo a partir de agora. “Será mais uma forma do boizinho da UR07 interagir em outros territórios enaltecendo a cultura popular pernambucana e suas ciências ancestrais”.


A formanda Renata e seu certificado; Registro da Ação Cineclubista do Cine Boi



Leia mais depoimentos de participantes que concluíram o 1º Ciclo de Formação em Audiovisual:


Renata é mulher negra, formada em Pedagogia, educadora social e mãe. Para ela, ter participado do curso representou um marco na forma como ela vai atuar daqui pra frente. “Para mim, foi um divisor de águas. Me fortaleceu muito, principalmente por ser uma pessoa periférica, favelista. Acredito de verdade que a Educação tem esse poder transformador, ao trabalhar ela de forma afrocentrada para nossas crianças e nossas instituições”, pontua. “O projeto é acolhedor”.

Victor Tálissom, fotógrafo etnográfico, morador de Paratibe, Paulista, integra coletivos de audiovisual negro como o Afrografia e o Ficcionalizar. Enfatizou que foi “muito importante a formação na base da periferia, fomentando esse aquilombamento, esse enegrecimento da cena audiovisual que em Pernambuco é muito potente. A gente precisa garantir mais direitos para chegar onde é o lugar de produção audiovisual”

Fany França, 24 anos, foi uma das contempladas na convocatória para a formação do Ciclo 1. “Eu aprendi muito, acredito que adquiri um embasamento que eu imaginava agora, porque eu ingressei recentemente na área. Me deu embasamento sobre direção, áudio, roteiro, uma base para a construção de um projeto cultural, que é muito interessante para a gente também levar essa captação para outros jovens negros pois o audiovisual ainda é muito embranquecido”.

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1 Comment


Exus Contabilidade
Exus Contabilidade
Oct 10, 2023

Projeto lindo e necessário, sinto que o Brasil precisa desse trabalho de forma permanente.

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